segunda-feira, 30 de junho de 2008

Alta do trigo deixa pãozinho indigesto

O preço do pão continua salgado, pelo menos no paladar dos consumidores mineiros. A Medida Provisória (MP) que suspendeu, no último dia 27 de maio, o recolhimento do impostos PIS e Cofins sobre o trigo e o pão francês, até 31 de dezembro deste ano, ainda não desonerou o bolso do consumidor. Uma pesquisa realizada pelo site Mercado Mineiro, mostra que o quilo do pãozinho de sal continua aumentando. Na semana anterior ao anúncio feito pelo governo o preço subiu 0,26% em Belo Horizonte, segundo estimativas do site. O aumento acumulado é de 33% desde de janeiro.

Os produtos derivados do trigo e da farinha estão seguindo a tendência da inflação. De 19 a 27 de maio, a pesquisa do Mercado Mineiro mostrou que o preço médio do quilo do pão aumentou e passou de R$ 7,15 para R$ 7,63. A dona de casa Maria Helena Santos, 46 anos, já está sentindo no bolso o reajuste dos produtos que contém o trigo. “Estou revendo minha lista de compras. Não dá mais para abusar da farinha de trigo e das massas. Macarrão agora só nos finais de semana e o pãozinho de sal já substituí pelo biscoito”, disse.

De acordo com a aposentada Ivonete Costa, 65 anos, o consumo diário de 10 pães tem pesado no orçamento doméstico. Gastando cerca de R$ 60 com pães, por mês, ela afirma que não tem como cortar o hábito dos quatro integrantes da família. “Mesmo com o aumento do preço dos pães a rotina continua a mesma. A alternativa foi comprar na mão do padeiro que vende os pães a R$ 0,20 cada”, conta. Para o padeiro Alexandre Martins, 21 anos, não houve alternativa. Ele preferiu congelar o preço do pãozinho vendido no bairro Goiânia, região Nordeste da capital. Mesmo com a medida, ele destaca que as vendas já caíram devido à criatividade dos consumidores. “Antes do aumento, vendia, em média, 800 pães por dia. Hoje, minha venda caiu pela metade. As pessoas têm procurado outras opções, como fazer bolos e biscoitos.”

Medida Provisória
A principal mudança é a isenção de PIS e Cofins até o fim do ano para trigo in natura, farinha de trigo e pão francês. Antes da aplicação da medida, esses impostos possuíam alíquota de 9,25%.

O governo decidiu baratear o transporte do trigo que vem sendo importado dos Estados Unidos e do Canadá para compensar a falta de importações da Argentina. O problema é que, além de ter preço mais alto, o trigo oriundo dos dois países também tem frete maior. Enquanto uma importação de trigo argentino chega ao Brasil em menos de uma semana, a dos EUA demora pelo menos 40 dias. O custo do frete cairá 25% com a isenção de uma taxa destinada ao Fundo de Renovação da Marinha Mercante.

Por fim, o governo estendeu o prazo para importação de trigo de países fora do Mercosul com tarifa zero, que passou de 30 de junho para 31 de agosto. Em troca, os produtores de trigo se comprometeram a repassar a queda no custo de produção para o consumidor ou evitar que o produto continue subindo.

Dependência do trigo
As importações brasileiras de trigo somaram 201,3 mil toneladas e US$ 73,6 milhões no primeiro trimestre deste ano. O país é o segundo maior produtor mundial de biscoitos, com faturamento anual de R$ 7,41 bilhões. No setor de massas, o Brasil é o terceiro produtor do mundo, com faturamento de R$ 4,67 bilhões.

O preço da farinha de trigo brasileira na indústria, segundo a Associação Brasileira das Indústria de Massas Alimentícias (Abima), passou de R$ 1.066 para R$ 1.312 a tonelada, entre 2007 e 2008, uma alta de 23,07%. No ano passado, o item já havia subido 19,33% na comparação com 2006. As massas também subiram neste mesmo período, em média 25%, e os biscoitos e bolachas, mesmo as doces, estão cerca de 21% mais salgados.


Os problemas no setor de trigo ocorrem devido ao crescimento da demanda mundial, a quebra de safras em alguns dos principais produtores e a diminuição dos estoques nas últimas décadas. Segundo especialistas, o resultado final para o Brasil, que importa até 70% do trigo que consome, é a maior crise do setor nos últimos 20 anos.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ativismo ambiental: uma herança dos anos de chumbo

Eliminar as fronteiras nacionais e substituir as bandeiras que representam as nações por outra com simbologia única – a imagem do planeta Terra. Estes foram alguns dos principais pontos levantados pelo médico e coordenador-geral do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa, 65 anos, em debate acerca de “Maio de 68”.

Ele atuou como militante no Movimento Estudantil dos anos 60, período da Ditadura Militar no Brasil. Esse engajamento gerou bases sólidas para se entregar por completo ao ativismo ambiental na década de 1990. Mas até chegar à luta pelo meio ambiente, Apolo Heringer, o filho mais velho de uma família evangélica composta por oito irmãos, foi preso três vezes e mandado ao exílio pelos militares.

Na clandestinidade como guerrilheiro e após sobreviver às perseguições, intensificadas com Ato Institucional Número Cinco (AI-5), Apolo viajou pelo mundo e retornou ao Brasil para assumir cadeira no Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais. Com o fim do encanto pela política partidária, ele decidiu implementar o Projeto Manuelzão. “Quando deixei o PT senti como se tivesse morrido. Minha vida havia perdido o sentido, assim como as minhas ideologias políticas”, disse.

O renascimento de Heringer para as causas sociais se deu pela autoria do projeto que viria a se tornar uma referência na busca pela revitalização dos rios que compõem a Bacia do Rio das Velhas. “A volta dos peixes aos rios dos 51 municípios que compõem a bacia é o nosso objetivo. Isso significa a melhoria da condição de vida das pessoas que moram naquelas margens”, destaca o ambientalista.

Segundo Apolo Henriger, a bacia hidrográfica do Rio das Velhas foi escolhida como foco de atuação por ser uma forma de superar a percepção municipalista das questões ambientais. Ele salientou as dimensões dessa bacia que deságua no Oceano Atlântico. “O Rio das Velhas, cujas nascentes estão localizadas em Ouro Preto, é o maior afluente, em extensão, da bacia do rio São Francisco.”

O ativista participou, no último dia 30, do debate “Do Movimento Estudantil ao Movimento Ambientalista”, promovido pelo curso de Comunicação Social da Faculdade Estácio Sá – BH. A discussão fez parte do projeto “
1968: o sonho acabou?”, que contou com a participação de sociólogos, jornalistas e militantes no ciclo de debates sobre o legado dos anos de chumbo”.

Perfil
Além de idealizador e coordenador-geral do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer é fundador do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e presidente do Comitê da Bacia do Rio das Velhas. Também escritor, ele atua ainda nas ações contrárias à transposição do rio São Francisco. Médico graduado pela UFMG, em 1967, ele é especialista em Pneumologia pelo Centro Hospitalar Universitário de Beni-Messous (Argel), e em Epidemiologia, pela Universidade Livre de Bruxelas. Professor da Faculdade de Medicina, atua também como supervisor do Internato em Saúde Coletiva, conhecido como Internato Rural, da instituição.

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domingo, 20 de abril de 2008

Escambo socialmente responsável

Projeto incentiva coleta seletiva de lixo em BH

Conscientizar a população através da troca de material reciclável por alimento, brinquedo e utensílio escolar em Belo Horizonte. Este é o objetivo do Projeto de Lei nº. 1460/07, aprovado em 1º turno, no dia 02 de abril passado, que propõe a criação do Programa Câmbio Verde.

O vereador Fred Costa (PHS), autor do projeto, pretende obter o mesmo sucesso alcançado pela iniciativa semelhante implantada, há 15 anos, na cidade de Curitiba, no Paraná. "O projeto incentivará o belo-horizontino a reciclar o próprio lixo, aliando a consciência ecológica à preocupação social. Desta forma, a população receberá os benefícios da coleta e da reciclagem", explicou o parlamentar.

De acordo com o vereador, a iniciativa proporciona a economia de matérias-primas e de energia, a redução do volume de material encaminhado a aterros sanitários e a diminuição da poluição ambiental em geral. A proposta será implementada e gerenciada pelo Executivo. As trocas serão efetuadas em postos, previamente, cadastrados pela PBH. O projeto deve ser votado em segundo turno ainda neste mês.

A proposta tramitou pelas comissões de Legislação e Justiça da Câmara Municipal, Meio Ambiente e Política Urbana, Saúde e Saneamento e de Orçamento e Finanças da Câmara Municipal de Belo Horizonte, antes de ir a plenário.

Para acompanhar a tramitação desse projeto clique aqui e insira somente o número na ferramenta de busca.

Asfalto ecológico

As empresas responsáveis pela pavimentação asfáltica da capital mineira já são obrigadas a usar pelo menos 15% da borracha de pneus velhos na composição do produto. A decisão foi tomada, em 18 de março, durante votação na Câmara Municipal, que derrubou, em 2º turno, o veto do prefeito Fernando Pimentel à iniciativa. A proposta necessitava de 21 votos e teve a adesão de 22 parlamentares.

Com isso os pneus velhos, considerados lixos ambientais, serão empregados como matéria-prima para asfaltar e recapear ruas e avenidas da cidade. A proposta atende à recomendação do Ministério Público quanto à reutilização de pneus pelos municípios, sob pena de fiscalização da Polícia Militar de Meio Ambiente. “Com a nova lei, os danos causados ao meio ambiente serão, conseqüentemente, reduzidos”, diz o vereador Fred Costa (PHS), autor do Projeto de Lei nº 1.261/07.

Essa solução de reciclagem resolve um antigo problema ambiental brasileiro. "Cerca de 41 milhões de pneus são produzidos no Brasil por ano. Apenas 10% é reaproveitado. É uma proposta ambientalmente correta", disse Costa. Ele complementa destacando que o projeto é vai proporcionar um desenvolvimento sustentável ao município, dando uma destinação ecologicamente correta para parte dos pneus usados. "As pesquisas comprovam que, após três anos de uso, o asfalto ecológico reduz, em até 30%, os custos em relação às misturas tradicionais, gerando menos gastos e ajudando a conservar o meio ambiente.”

A técnica já é utilizada em São Paulo e Curitiba (PR). Em Belo Horizonte, o asfalto ecológico foi usado no Boulevard Arrudas para capear a pista de rolamento, além do trecho inicial da Linha Verde, obra do governo estadual, realizada em outubro de 2006.

Veja como pneus velhos são reprocessados em usinas de asfalto, dando origem ao asfalto-borracha. A matéria foi veiculada no programa Cidades e Soluções, da Globo News. *O vídeo não dispõe do código ambed para vizualização direta no blog Análise Editorial. Assista!

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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sociedade acrítica!


A apatia da sociedade diante das amarras impostas por aqueles que detêm o poder e formulam o discurso dominante. Este é o enredo da crítica social, retratada na letra “Até quando?”, de Gabriel Pensador.

“Até quando você vai ficar usando rédia / Rindo da própria tragédia? / Até quando você vai ficar usando rédia / Pobre, rico ou classe média? / Até quando você vai levar cascudo mudo? / Muda, muda essa postura / Até quando você vai ficando mudo? / Muda que o medo é um modo de fazer censura”, diz um trecho, incisivo da música.

Gabriel explicou, durante a Semana de Palestras de Jornalismo (Sepaj), que fez a letra por estar irritado com o governo de Fernando Henrique Cardoso “pela compra de deputados para aprovarem a reeleição dele”. À época, o cantor lia Para entender o Brasil, de Luiz Panhoca, livro que o influenciou. “Estava à flor da pele”, revelou ao contar que ficou surpreso com as reações das pessoas “que levavam essa música para a vida delas”. Ao responder um aluno que o assistia, Gabriel ponderou que, no Brasil, “fazem mais falta os valores morais – principalmente dos políticos - do que os financeiros”.

A decepção com a classe política e com o atual governo – “foi um momento de esperança” – lamentou, apesar de considerar alguns pontos positivos. “Tem índices favoráveis na economia, mas esse governo cortou nossa onda”. O cantor destilou humildade ao reconhecer que não tem fórmulas para isso. “Movimentos, protestos. A classe artística poderia se engajar mais, jogadores de futebol, ator pornô e tal. As pessoas têm as ONGs com trabalhos interessantes. Não é só reclamar, mas trabalhar na sua comunidade, na favela ao lado”.
Confira a letra na íntegra!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Jornalismo: uma revolução na Era Digital

O norte-americano Mark Briggs, autor do livro “Jornalismo 2.0: Como sobreviver e prosperar”, observa que, ao longo de sua história, o jornalismo nunca sofreu mudanças tão radicais e aceleradas quanto as que estão acontecendo em decorrência da Internet. Para o autor, essa transformação conduz para o processo de reinvenção do jornalismo.

Mark Briggs, que também é editor online do jornal The News Tribune, de Tacoma, Washington (EUA), apresenta o livro como um manual prático que incorpora elementos teóricos capazes de dar aos leitores condições de ingressar no mundo do jornalismo digital. A obra pretende ser um guia de cultura digital na era da informação, com associação do conceito de jornalismo 2.0 à idéia da colaboração entre profissionais e o público.

“Jornalismo 2.0” explica as características da Web, detalha alguns conceitos básicos como o da Web 2.0, mostra o funcionamento de novos equipamentos eletrônicos, destacando suas aplicações no exercício do jornalismo.

O livro consegue falar a dois públicos bem diferentes: os veteranos do jornalismo, que encontrarão nele os, elementos essenciais para entrar no mundo das novas tecnologias da comunicação; e os mais jovens, que enfrentam o desafio de entrar num mercado de trabalho cujos valores e rotinas mudam a todo instante.

O jornalismo online e sua versão 2.0 compõem a base do processo de produção colaborativa online de notícias. Nesse caso, o jornalismo é visto como uma conversa entre profissionais e o público. Um conceito absolutamente novo e que provoca muita polêmica, por desmontar desconfianças e preconceitos passados entre quem publica e quem consome informação, o que por si só já é uma tarefa complicada.

A publicação, em português, do livro de Mark Briggs ajuda os profissionais do jornalismo a repensar sua atividade não mais apenas como uma forma de publicar notícias, mas também como um canal para interação ou orientação de leitores.

terça-feira, 11 de março de 2008

Conteúdo democrático na internet

O jornalismo como instrumento de cidadania é o ponto de partida para o trabalho de conclusão de curso do estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá - BH e radialista, Antonélio Geovan de Souza, 33 anos. Dentro das novas possibilidades oferecidas pela internet, o universitário decidiu analisar a função dos blogs no processo de democratização da informação.

Para Antonélio Souza, o blog é uma nova plataforma digital que agrega, além da facilidade de acesso, a convergência de várias mídias. Ele acredita que a internet permite a transformação na postura do usuário. “O leitor sai da passividade e inicia um processo de construção de conteúdo”, disse. O estudante destaca que, atualmente, o jornalismo tradicional passa por um momento de transição que contribui para a ascensão de novos produtores de informação. “Na internet o usuário tem liberdade de opinião e sempre vai ter público”, explica.

Mineiro de Pompéu e atuando há 15 anos como locutor, hoje na 98 FM, ele afirma que desistiu de analisar o rádio como veículo de comunicação devido à “saturação” do tema. De acordo com Antonélio, a implementação da convergência nesse tipo de mídia ainda não passou do caráter teórico. Outro dificultador apontado pelo estudante é a ausência de pesquisas sobre as novas tendências desse meio de comunicação.

Apesar de ser autor de um blog, no momento, o maior desafio enfrentado pelo estudante de Jornalismo, durante as pesquisas, é a falta de conhecimento aprofundado sobre essa ferramenta da Internet. Para driblar esse empecilho, António Souza tem adequado a sua rotina no âmbito de um rigoroso planejamento fundamentado na leitura de obras sobre o assunto, além de exercitar constantemente a produção de conteúdo para o blog durante as aulas de Jornalismo Online I na Estácio de Sá. “Estou lendo mais e me planejando para ‘linkar’ as idéias”, finaliza.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Eutanásia política

A renúncia de Fidel Castro, 81 anos, à Presidência de Cuba, anunciada na última terça-feira, 19, ratificou a eutanásia política do líder comunista que há quase meio século estava no comando da ilha. "Trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Digo-o sem dramatismo", escreveu o ditador que, com a exceção de monarcas, era o mais longevo chefe de Estado, em mensagem publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma.

A saída de cena do líder da
Revolução Cubana, na prática, não refletirá na inércia de Fidel frente ao futuro do país. O seu fragilizado estado de saúde, provocado por uma doença não revelada, o obrigou a transferir o poder, há um ano e meio, ao irmão Raúl, de 76 anos, que segue na Presidência interina e pode ser escolhido o novo líder do país pelo Parlamento. A renúncia abre caminho para Raúl sucedê-lo no governo com uma pseudo-autonomia.

Fidel, que se manterá no cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, estabeleceu-se como membro do parlamento e, provavelmente, será eleito como um dos 31 membros do Conselho de Estado. A renúncia, daquele que liderou a Revolução Cubana, nada mais é do que uma tentativa intencional e estratégica de encerramento gradativo da vida política de alguém que, presumivelmente, não externa qualquer esperança de recuperação, ou seja, um presságio da sua morte.

A odisséia revolucionária de Fidel Castro teve início com a mobilização do Exército Rebelde que, liderado por ele, foi uma força armada constituída, desde de 1952, para depor o governo ditatorial de Fulgêncio Batista. Após uma tentativa fracassada, em 1956, o exército voltou a reunir-se com apoio popular e, em apenas dois anos, venceu as forças militares do regime. Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos também estiveram à frente da Guerra de Libertação Nacional (1956-1958) que culminou na vitória da Revolução Cubana em 1º de Janeiro de 1959. Com a derrubada do regime ditatorial, consolidada com a fuga de Batista, Fidel Castro foi conduzido ao Governo cubano.

O ousado líder guerrilheiro, que se encontra num estado precário de saúde, sobreviveu a dezenas de tentativas de homicídio, uma invasão apoiada pela CIA e uma crise de mísseis que quase culminou numa guerra nuclear. A empreitada mais famosa, entre os dez governos norte-americanos que tentaram derrubá-lo, foi a desastrada invasão da Baía dos Porcos em 1961.

A invasão mal-sucedida foi uma espécie de insurgência cometida por mais de mil e duzentos exilados cubanos oriundos de Miami, que pertenceram ao regime de Fulgêncio Batista, apoiados pelos Estados Unidos. Os rebeldes acreditavam que o assassinato de Fidel era o único meio de se pôr fim ao incômodo governo socialista recém-formado. Em apenas três dias de combates, Fidel declarou vitória sobre a revolta orquestrada pelo país do Tio Sam.

O governo norte-americano rompeu relações com Cuba em 1961. A medida contribuiu para a aproximação de Fidel com a União Soviética, após a declaração da revolução socialista por Havana. Em 1962, os EUA impuseram uma série de sanções à ilha, dando origem a um embargo econômico, comercial e financeiro ainda vigente.

A economia cubana agonizou durante muito tempo, prova disso é que, só agora, o padrão de vida da população está retornando aos níveis do final dos anos 80. Mas a miséria na ilha ainda não salta aos olhos. Uma pesquisa da ONU, realizada em 2004, revelou que o índice de pobreza de Cuba era o sexto menor dentre 102 países em desenvolvimento.

O sentimento de insatisfação dos cubanos já não pode ser contido pelo governo ditatorial. Os baixos salários, em torno de US$ 15 por mês, são questões pontuais dentre as queixas dos cubanos. Até o sistema de saúde, que antes era um dos cartões de visitas da revolução, está cada vez mais sucateado.

Para os que defendem Fidel Castro, a justificativa é unânime, ele teria sido uma espécie de herói de uma revolução social e ícone de uma política socialista. Aos que são contrários a Castro, resta o argumento de que ele foi um líder de regime ditatorial baseado numa política unipartidária.

A eutanásia política de Fidel poderia desestabilizar o país, tendo em vista que o governo está diretamente ligado à figura do líder da revolução. No curto prazo, não deve haver profundas transformações em Cuba.

O irmão de Fidel tem estimulado a população a participar de um debate em torno de uma abertura controlada da economia cubana. Raúl Castro é um franco admirador do estilo de capitalismo adotado pela China. Utilizar a população como massa de manobra é apenas uma estratégia para atenuar possíveis conflitos populares, uma vez que a última palavra seria a dos líderes comunistas da ilha. A vitória, quase anunciada, do Partido Democrata nos Estados Unidos tende a extinguir o bloqueio econômico, isso daria uma espécie fôlego neoliberal a Cuba.