segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sociedade acrítica!


A apatia da sociedade diante das amarras impostas por aqueles que detêm o poder e formulam o discurso dominante. Este é o enredo da crítica social, retratada na letra “Até quando?”, de Gabriel Pensador.

“Até quando você vai ficar usando rédia / Rindo da própria tragédia? / Até quando você vai ficar usando rédia / Pobre, rico ou classe média? / Até quando você vai levar cascudo mudo? / Muda, muda essa postura / Até quando você vai ficando mudo? / Muda que o medo é um modo de fazer censura”, diz um trecho, incisivo da música.

Gabriel explicou, durante a Semana de Palestras de Jornalismo (Sepaj), que fez a letra por estar irritado com o governo de Fernando Henrique Cardoso “pela compra de deputados para aprovarem a reeleição dele”. À época, o cantor lia Para entender o Brasil, de Luiz Panhoca, livro que o influenciou. “Estava à flor da pele”, revelou ao contar que ficou surpreso com as reações das pessoas “que levavam essa música para a vida delas”. Ao responder um aluno que o assistia, Gabriel ponderou que, no Brasil, “fazem mais falta os valores morais – principalmente dos políticos - do que os financeiros”.

A decepção com a classe política e com o atual governo – “foi um momento de esperança” – lamentou, apesar de considerar alguns pontos positivos. “Tem índices favoráveis na economia, mas esse governo cortou nossa onda”. O cantor destilou humildade ao reconhecer que não tem fórmulas para isso. “Movimentos, protestos. A classe artística poderia se engajar mais, jogadores de futebol, ator pornô e tal. As pessoas têm as ONGs com trabalhos interessantes. Não é só reclamar, mas trabalhar na sua comunidade, na favela ao lado”.
Confira a letra na íntegra!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Jornalismo: uma revolução na Era Digital

O norte-americano Mark Briggs, autor do livro “Jornalismo 2.0: Como sobreviver e prosperar”, observa que, ao longo de sua história, o jornalismo nunca sofreu mudanças tão radicais e aceleradas quanto as que estão acontecendo em decorrência da Internet. Para o autor, essa transformação conduz para o processo de reinvenção do jornalismo.

Mark Briggs, que também é editor online do jornal The News Tribune, de Tacoma, Washington (EUA), apresenta o livro como um manual prático que incorpora elementos teóricos capazes de dar aos leitores condições de ingressar no mundo do jornalismo digital. A obra pretende ser um guia de cultura digital na era da informação, com associação do conceito de jornalismo 2.0 à idéia da colaboração entre profissionais e o público.

“Jornalismo 2.0” explica as características da Web, detalha alguns conceitos básicos como o da Web 2.0, mostra o funcionamento de novos equipamentos eletrônicos, destacando suas aplicações no exercício do jornalismo.

O livro consegue falar a dois públicos bem diferentes: os veteranos do jornalismo, que encontrarão nele os, elementos essenciais para entrar no mundo das novas tecnologias da comunicação; e os mais jovens, que enfrentam o desafio de entrar num mercado de trabalho cujos valores e rotinas mudam a todo instante.

O jornalismo online e sua versão 2.0 compõem a base do processo de produção colaborativa online de notícias. Nesse caso, o jornalismo é visto como uma conversa entre profissionais e o público. Um conceito absolutamente novo e que provoca muita polêmica, por desmontar desconfianças e preconceitos passados entre quem publica e quem consome informação, o que por si só já é uma tarefa complicada.

A publicação, em português, do livro de Mark Briggs ajuda os profissionais do jornalismo a repensar sua atividade não mais apenas como uma forma de publicar notícias, mas também como um canal para interação ou orientação de leitores.

terça-feira, 11 de março de 2008

Conteúdo democrático na internet

O jornalismo como instrumento de cidadania é o ponto de partida para o trabalho de conclusão de curso do estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá - BH e radialista, Antonélio Geovan de Souza, 33 anos. Dentro das novas possibilidades oferecidas pela internet, o universitário decidiu analisar a função dos blogs no processo de democratização da informação.

Para Antonélio Souza, o blog é uma nova plataforma digital que agrega, além da facilidade de acesso, a convergência de várias mídias. Ele acredita que a internet permite a transformação na postura do usuário. “O leitor sai da passividade e inicia um processo de construção de conteúdo”, disse. O estudante destaca que, atualmente, o jornalismo tradicional passa por um momento de transição que contribui para a ascensão de novos produtores de informação. “Na internet o usuário tem liberdade de opinião e sempre vai ter público”, explica.

Mineiro de Pompéu e atuando há 15 anos como locutor, hoje na 98 FM, ele afirma que desistiu de analisar o rádio como veículo de comunicação devido à “saturação” do tema. De acordo com Antonélio, a implementação da convergência nesse tipo de mídia ainda não passou do caráter teórico. Outro dificultador apontado pelo estudante é a ausência de pesquisas sobre as novas tendências desse meio de comunicação.

Apesar de ser autor de um blog, no momento, o maior desafio enfrentado pelo estudante de Jornalismo, durante as pesquisas, é a falta de conhecimento aprofundado sobre essa ferramenta da Internet. Para driblar esse empecilho, António Souza tem adequado a sua rotina no âmbito de um rigoroso planejamento fundamentado na leitura de obras sobre o assunto, além de exercitar constantemente a produção de conteúdo para o blog durante as aulas de Jornalismo Online I na Estácio de Sá. “Estou lendo mais e me planejando para ‘linkar’ as idéias”, finaliza.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Eutanásia política

A renúncia de Fidel Castro, 81 anos, à Presidência de Cuba, anunciada na última terça-feira, 19, ratificou a eutanásia política do líder comunista que há quase meio século estava no comando da ilha. "Trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Digo-o sem dramatismo", escreveu o ditador que, com a exceção de monarcas, era o mais longevo chefe de Estado, em mensagem publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma.

A saída de cena do líder da
Revolução Cubana, na prática, não refletirá na inércia de Fidel frente ao futuro do país. O seu fragilizado estado de saúde, provocado por uma doença não revelada, o obrigou a transferir o poder, há um ano e meio, ao irmão Raúl, de 76 anos, que segue na Presidência interina e pode ser escolhido o novo líder do país pelo Parlamento. A renúncia abre caminho para Raúl sucedê-lo no governo com uma pseudo-autonomia.

Fidel, que se manterá no cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, estabeleceu-se como membro do parlamento e, provavelmente, será eleito como um dos 31 membros do Conselho de Estado. A renúncia, daquele que liderou a Revolução Cubana, nada mais é do que uma tentativa intencional e estratégica de encerramento gradativo da vida política de alguém que, presumivelmente, não externa qualquer esperança de recuperação, ou seja, um presságio da sua morte.

A odisséia revolucionária de Fidel Castro teve início com a mobilização do Exército Rebelde que, liderado por ele, foi uma força armada constituída, desde de 1952, para depor o governo ditatorial de Fulgêncio Batista. Após uma tentativa fracassada, em 1956, o exército voltou a reunir-se com apoio popular e, em apenas dois anos, venceu as forças militares do regime. Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos também estiveram à frente da Guerra de Libertação Nacional (1956-1958) que culminou na vitória da Revolução Cubana em 1º de Janeiro de 1959. Com a derrubada do regime ditatorial, consolidada com a fuga de Batista, Fidel Castro foi conduzido ao Governo cubano.

O ousado líder guerrilheiro, que se encontra num estado precário de saúde, sobreviveu a dezenas de tentativas de homicídio, uma invasão apoiada pela CIA e uma crise de mísseis que quase culminou numa guerra nuclear. A empreitada mais famosa, entre os dez governos norte-americanos que tentaram derrubá-lo, foi a desastrada invasão da Baía dos Porcos em 1961.

A invasão mal-sucedida foi uma espécie de insurgência cometida por mais de mil e duzentos exilados cubanos oriundos de Miami, que pertenceram ao regime de Fulgêncio Batista, apoiados pelos Estados Unidos. Os rebeldes acreditavam que o assassinato de Fidel era o único meio de se pôr fim ao incômodo governo socialista recém-formado. Em apenas três dias de combates, Fidel declarou vitória sobre a revolta orquestrada pelo país do Tio Sam.

O governo norte-americano rompeu relações com Cuba em 1961. A medida contribuiu para a aproximação de Fidel com a União Soviética, após a declaração da revolução socialista por Havana. Em 1962, os EUA impuseram uma série de sanções à ilha, dando origem a um embargo econômico, comercial e financeiro ainda vigente.

A economia cubana agonizou durante muito tempo, prova disso é que, só agora, o padrão de vida da população está retornando aos níveis do final dos anos 80. Mas a miséria na ilha ainda não salta aos olhos. Uma pesquisa da ONU, realizada em 2004, revelou que o índice de pobreza de Cuba era o sexto menor dentre 102 países em desenvolvimento.

O sentimento de insatisfação dos cubanos já não pode ser contido pelo governo ditatorial. Os baixos salários, em torno de US$ 15 por mês, são questões pontuais dentre as queixas dos cubanos. Até o sistema de saúde, que antes era um dos cartões de visitas da revolução, está cada vez mais sucateado.

Para os que defendem Fidel Castro, a justificativa é unânime, ele teria sido uma espécie de herói de uma revolução social e ícone de uma política socialista. Aos que são contrários a Castro, resta o argumento de que ele foi um líder de regime ditatorial baseado numa política unipartidária.

A eutanásia política de Fidel poderia desestabilizar o país, tendo em vista que o governo está diretamente ligado à figura do líder da revolução. No curto prazo, não deve haver profundas transformações em Cuba.

O irmão de Fidel tem estimulado a população a participar de um debate em torno de uma abertura controlada da economia cubana. Raúl Castro é um franco admirador do estilo de capitalismo adotado pela China. Utilizar a população como massa de manobra é apenas uma estratégia para atenuar possíveis conflitos populares, uma vez que a última palavra seria a dos líderes comunistas da ilha. A vitória, quase anunciada, do Partido Democrata nos Estados Unidos tende a extinguir o bloqueio econômico, isso daria uma espécie fôlego neoliberal a Cuba.